Aspectos gerais
O morro São Pedro é o maior morro em extensão da capital (aproximadamente 1800 hectares considerando o complexo formado pelos morros São Pedro e Quirinas) e também o mais bem conservado. Este morro, com 289 metros de altitude máxima, abriga os maiores contínuos de vegetação nativa do município (cerca de 1000 hectares de florestas e 550 hectares de campos) que abrigam nascentes de água límpida de duas das principais bacias hidrográficas do município, as sub-bacias do arroio do Salso e arroio Lami.
Destaca-se ainda como área de refúgio da vida silvestre, abrigando os maiores remanescentes de populações de bugios-ruivos (Alouatta guariba) da capital, além de outros numerosos elementos da flora e fauna silvestre autóctone, muitas delas ameaçadas de extinção em nosso Estado, como é o caso do bugio. A floraAs formações vegetais do morro são constituídas por campos e florestas nativas que juntos compõe um mosaico característico presente nos demais morros da região. Na face norte predominam as formações campestres enquanto que na face sul predominam as formações florestais. A vegetação campestre apresenta formações de campos secos, campos rupestres, campos úmidos e vassourais, ocorrendo uma riqueza florística estimada em cerca de 500 espécies. Uma delas (Alstroemeria albescens) só foi registrada neste morro até o momento, sendo provavelmente endêmica do local, além de ocorrer outras espécies consideradas raras e ameaçadas de extinção no município e no RS.As florestas possuem estrutura e composição florística diversificada ocorrendo árvores de 15 a 20 metros de altura nos vales encaixados, 10 a 15 metros nas encostas secas e de 6 a 12 metros junto ao topo do morro, ocorrendo aproximadamente 350 espécies de árvores, arbustos, lianas e epífitos. Um dos elementos característicos da fisionomia destas matas é a figueira-da-folha-miúda (Ficus organensis), árvore de grande porte característica da Mata Atlântica, que oferece hábitat para diversas espécies de orquídeas e bromélias. Florísticamente, as espécies de campo têm origem nas formações dos Campos de Cima da Serra e do Pampa Gaúcho. Nas florestas, ocorrem espécies da Mata Atlântica, Mata de Araucária e da Mata do Alto Uruguai. Ocorrem ainda elementos provenientes da flora Chaquenha e Andina.
A FaunaDiversos animais nativos dos arroios, campos e florestas da região metropolitana de Porto Alegre também podem ser encontrados no morro São Pedro. Talvez seu mais notável habitante seja o bugio-ruivo (Alouatta clamitans), primata que vive em bandos, se alimenta de folhas e é conhecido pela sua vocalização característica, o “ronco do bugio” - que pode ser escutado a alguns quilômetros de distância. Em Porto Alegre, o morro São Pedro é a área mais importante para a conservação desta espécie considerada ameaçada de extinção no Rio Grande do Sul! Além dos bugios, o morro é também refúgio para outros mamíferos como o mão-pelada (Procyon cancrivorus), o ouriço-cacheiro (Sphiggurus villosus), o tatu-mulita (Dasypus hybridus) e gatos do mato, além de ainda poder abrigar indivíduos de jaguatirica, o maior felino sobrevivente na região.Devido a sua diversidade de hábitats e grande extensão, o morro serve de abrigo para muitas outras espécies de animais. O único registro em Porto Alegre das aranhas Eustala saga e Tutaibo tristis é nesta área. Também foram registrados 10 espécies de peixes, 16 espécies de moluscos e uma espécie de crustáceo (Parastacus brasiliensis) considerado ameaçado de extinção no Estado. Entre o grupo das aves destaca-se a ocorrência de 78 espécies já registradas, dentre elas o dançador (Chiroxiphia caudata), o beija-flor-dourado (Hylocharis chrysura) e o trinca-ferro-verdadeiro (Saltator similis). O gavião-de-rabo-curto (Buteo brachyurus) e a tovaca-campainha (Chamaeza campanisona) vivem especialmente em matas preservadas e são também habitantes do morro.
Parque NaturalA Fundação Zoobotânica realizou um estudo no Morro, recomendando inicialmente a desapropriação de uma área núcleo de 250 hectares e a construção de uma sede, visando à criação de um Parque Natural. Em seu entorno, seriam apoiadas iniciativas particulares de preservação (já que todo o Morro é de propriedade particular), na forma de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) e com a concessão do benefício do IPTU Ecológico.A soma do Parque com as iniciativas privadas resultaria em um mosaico de áreas protegidas totalizando 1532 hectares a serem geridos e protegidos através de uma estratégia unificada. O projeto de criação do Parque está vinculado ao Programa Sócio-Ambiental do município, sendo a verba prevista para sua execução advindo de medida compensatória da implantação da Estação de Tratamento de Esgoto da Serraria e demais obras de infra-estrutura relacionadas, mas, até o momento, a área sugerida para o Parque ainda não foi gravada. ![]() |