Primeira fase de construção
A cabana inicial foi construída aproveitando o desnível natural do terreno. Foi feita com uma infra-estrutura básica: cozinha com água encanada de nascente e fogão à lenha, quarto com dois beliches e uma varanda. Ela foi construída com madeira de eucalipto de reflorestamento, evitando assim a utilização de madeiras nobres da mata nativa, que geralmente são retiradas de forma ilegal.
Segunda fase de construçãoAo final de 2003 decidiu-se aumentar a infra-estrutura da sede. O projeto de ampliação foi feito em parceria com a arquiteta Letícia Prudente, seguindo alguns princípios da bioconstrução. Um anexo à cabana foi construído com espaço para 25 pessoas, o antigo quarto virou alojamento com 10 camas e foi projetada uma área para acampamento.Nesta segunda fase continuamos optando pelo eucalipto roliço para a estrutura e tábuas sobrepostas para fechamento das paredes. A mureta de arrimo se destaca na obra! Parte da cabana se apóia sobre esta estrutura de terra-crua, utilizando-se a técnica de superadobe. Geralmente, esta técnica é empregada em paredes de fechamento (com 45 cm de espessura) e não como alicerce. Fizemos a mureta com 65 cm de espessura, experiência até hoje bem sucedida. O forno de barro, a churrasqueira e o fogão à lenha foram confeccionados com tijolos e barro, em substituição ao cimento, cuja vantagem é a maior resistência a rachaduras causadas pelo calor.
No fogão foi instalada uma serpentina para aproveitar o calor da queima da lenha para aquecimento de água da cozinha e do chuveiro. O sistema é de circulação da água por diferença de densidade (termosifão) e utiliza um reservatório térmico (geladeira reciclada). O sistema obteve plena eficiência no aquecimento de toda a água do reservatório e é elogiado pelos usuários. O tratamento de esgoto da sede é do tipo sistema modular de separação de águas, desenvolvido pelo Engº. Sanitarista Luiz Ercole. Esse sistema separa a água cinza (ralos e pias) da água negra (vaso sanitário) e faz dois tratamentos físico-biológicos distintos. Depois do tratamento em separado ocorre a mistura das águas que são destinadas à irrigação de canteiros de cultivo por evapotranspiração.
A água da chuva é coletada através de calhas nos beirais do telhado direcionadas a cisternas de ferro-cimento, técnica de confecção de caixas d’água de baixo custo (pode custar até 4 vezes menos que uma caixa de fibra de vidro!). De acordo com o tamanho do telhado e os índices de pluviosidade da região dimensionou-se coletar um total de 13.000 litros. Parte dessa água será utilizada para descarga dos banheiros e o restante na irrigação da horta e do pomar agroflorestal e em outros usos domésticos. |